Exposição tem pintura de Mantegna restaurada no Louvre
e instalação de Eder Santos a partir de obra do Rococó
Fonte: Assessoria de Imprensa.
Com 40 obras de mestres dos séculos 14 ao 19, Deuses e madonas - A arte do sagrado apresenta o universo do sagrado na cultura ocidental e mostra pela 1ª vez depois de restaurada na França a obra-prima São Jerônimo penitente no deserto (1451), de Andrea Mantegna. Destaque também para a instalação de Eder Santos a partir de O julgamento de Páris (1710/20), de Michele Rocca, em releitura que recorre à tecnologia LED tridimensional de televisores de última geração. Com patrocínio da Samsung e do Hospital São Luiz e apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, mostra abre dia 15/10.
Uma obra-prima de um mestre do Renascimento e uma instalação do artista brasileiro contemporâneo Eder Santos são os destaques de Deuses e madonas - A arte do sagrado, que o MASP abre a partir de 15 de outubro, sexta-feira. São Jerônimo penitente no deserto, que o jovem Andrea Mantegna concluiu em 1451 e foi uma das principais obras na maior retrospectiva do autor, realizada em 2008 em Paris, no Louvre, está de volta ao MASP depois de restaurada pela equipe do museu francês. E O julgamento de Páris, feita entre 1710 e 1720 pelo mestre do Rococó italiano Michele Rocca, recebe uma leitura contemporânea do videoartista Eder Santos, que recorreu à tecnologia dos televisores LED tridimensionais para mostrar sua versão sobre a obra de Rocca.
Concebida pelo curador Teixeira Coelho a partir de 40 obras-primas do acervo do museu, a maioria do século 14 ao 19, Deuses e madonas - A arte do Sagrado traz ainda El Greco (Anunciação, de 1600); Delacroix (As quatro estações, c.1856); Botticelli (Virgem com o Menino e São João Batista Criança, c.1490); Tintoretto (Ecce Homo ou Pilatos Apresenta Cristo à Multidão, c.1546); Rafael (A ressurreição de Cristo, 1499-1502), entre outras. A exposição fica em cartaz no 2º andar do MASP até 16 de janeiro.
Na versão de Eder Santos, O julgamento de Páris poderá ser visualizada em dois monitores LED tridimensionais e sete projetores. Em sua leitura contemporânea, ele quer despertar no público a sensação de ver além da obra, além do que se pode ver a olho nu. O artista, que vive em Belo Horizonte há 49 anos, tem obras em museus como o MoMA, de Nova York e o Centro Georges Pompidou, de Paris. Sua instalação sobre a obra de Rocca é o primeiro trabalho feito sob encomenda para o MASP e será realizada mediante registro e remodelação digital da obra, conferindo movimento ao espaço original de representação. Neste espaço movem-se personagens, voam anjos e o observador embarca em uma dupla experiência: abrir os olhos para ver e fechar os olhos para adentrar.
Deuses e madonas - A arte do sagrado, por Teixeira Coelho
A representação de deuses e madonas nesta exposição alicerça-se sobre a ideia do sagrado, uma categoria da relação entre o ser humano, a vida e o mundo, que pertence ao campo do indizível, daquilo que foge ao racional. Em sentido comum, o sagrado expressa um atributo moral traduzido pela ideia do bom e do bem. Mas esse é uma visão racional do sagrado, como sugere Rudolf Oto, que cunhou o termo numinoso para referir-se ao sagrado descontado seu aspecto moral e, portanto, seu lado racional. Numinoso é, assim, aquilo que não pode ser traduzido em conceitos, algo de amplo alcance indo muito além do que é "apenas" moral (os deuses gregos não tinham sempre um comportamento moral, e mesmo no monoteísmo cristão há interpretações divergentes sobre a natureza boa ou má das entidades divinas).
O numinoso não se traduz em palavras - mas pode manifestar-se em imagens, como na arte. Hegel anotou que a arte "dá vida ao que é meramente sensorial, atribuindo-lhe uma forma que exprime a alma, o sentimento, o espírito". Mas a arte anima também, e torna visível, aquilo que é, mais que sensorial, intuitivo e nocional, como o numinoso.
A coleção do MASP reúne obras cujo tema é o numinoso tanto na versão grega clássica como na manifestação cristã que se dão ao redor da ideia dos deuses e das madonas, dois grandes personagens da história da arte ocidental. São dois sistemas de valores distintos, expressos nos pincéis de grandes mestres da arte ocidental. É deles e de sua arte, não do sagrado em si, que trata esta exposição. Durante largo tempo o sagrado foi um tema privilegiado da arte e era o sagrado que interessava, não a arte que o exprimia (e que nem arte, no sentido contemporâneo, era). Hoje, no museu, com obras do século XIV ao XXI, a situação se inverte e o assunto central é a arte e seus códigos de representação da realidade e do imaginário.
Serviço Educativo - Como nas mostras compostas por obras do acervo e nas exposições temporárias realizadas pelo MASP, a exposição Deuses e madonas - A arte do sagrado terá um programa educativo elaborado especialmente para atender aos visitantes, professores e alunos de escolas das redes pública e privada. As visitas orientadas são realizadas por uma equipe de profissionais especializados. Informações: 3251 5644, ramal 2112.
Deuses e madonas - A arte do sagrado
Em exposição: De 15 de outubro de 2010 a 16 de janeiro de 2011, no 2º andar. Curadoria: Teixeira Coelho e Denis Molino. Patrocínio: Samsung, Hospital São Luis, Lei Federal de Incentivo à Cultura Produção e Montagem: MASP.
MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - Av. Paulista, 1578. Acesso a deficientes. Horários: De 3ªs a domingos e feriados, das 11h às 18h. Às 5ªs: das 11h às 20h. A bilheteria fecha uma hora antes. Ingresso: R$ 15,00. Estudante: R$ 7,00. Até 10 anos e acima de 60: livre. Às 3ªs feiras: livre
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